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Vida integral

Claudinha Leite se preocupa com o lado não palpável da vida?A importância do todo da vida.

O todo da vidaUma pessoa de grande fama do meio artístico seria uma pessoa efêmera? Claudinha Leite disse em quadro do Caldeirão do Huck que a oportunidade de reviver a experiência de estar no seu quarto de infância ajudou-lhe a lembrar das coisas mais importantes da sua vida. Em estado de prantos Claudinha disse: “No meio em que se vive a exposição do corpo o que importa não são as coisas palpáveis”. Ela estava falando da suas memórias de infância na casa da sua família e de como ela foi feliz.

Devido ao meu preconceito fiquei um pouco surpreendido com a fala da cantora, pois a estigmatizei como uma cantora sensual, como se ela fosse vinte e quatro horas por dia assim. Claro que é uma visão reforçada pela exposição que ela tem na mídia, como cantora de axé, um tanto distante da imagem de alguém preocupado com as coisas não palpáveis da vida. Mas o que é felicidade?

A felicidade pode ser buscada na vivencia máxima dos prazeres da vida como fazem os hedonistas pós-modernos ou ainda apenas na satisfação dos desejos naturais e necessários como pensavam o ideal de felicidade os epicuristas[1]. George Simmel, um intelectual do século XIX que transcende as nomenclaturas de filósofo, antropólogo, psicólogo e outras discorreu sobre a busca da felicidade através da religiosidade em que as pessoas buscavam na socialização entre pessoas com fé na salvação cristã como forma  de busca da felicidade[2].

Onde está o equilíbrio? No alcance de notoriedade nas redes sociais? Na o alcance da manutenção de prazeres da moda? Ou mesmo na satisfação comedida dos desejos naturais e necessários dos epicuristas?

São muitas as respostas possíveis. Vou me limitar na minha experiência de vida. Penso que o desejo é uma questão que vem me dando uma rota nesta busca da felicidade. A vivência máxima dos prazeres no deleite da realização dos desejos da carne e do sangue talvez tenham os seus momentos. Estão ligados a vivencia da alegria e da euforia muito importantes para dar graça a vida que seria muito sem sal e sem açúcar sem eles, dão potencia a vida, excitação!São  uma lembrança orgânica de que estamos vivos!

Somos seres integrais necessitados dos nossos prazeres da carne e do sangue, mas quando nos esquecemos de buscar a nossa centralidade corremos o risco de nos perder em  alguma parte do todo da vida[3]. O todo da vida precisa de uma atividade de espiritualidade no sentido mais amplo possível da palavra. Penso que qualquer forma de religiosidade é importante e quando falo de religiosidade não estou falando apenas dos modelos tradicionais e dominantes da sociedade. Estou falando também dos ateus, dos materialistas, acadêmicos, artistas e também aqueles que sofrem intolerância como os afro-brasileiros.

Ozimar Bovió. 

 

 

 

[1] BARROS FILHO, Clóvis de. A vida que vale a pena ser vivida. Petrópolis: RJ. Vozes, 2014.

[2] SIMMEL,Georg. Religião: Ensaios- Volume ½. São Paulo: Olhos dagua, 2010.

[3]Acesso em 10/08/2015: https://leonardoboff.wordpress.com/2015/07/31/as-crises-da-vida-e-a-autorealizacao/

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As crises da vida e a autorealização (Leonardo Boff)

Para Leonardo Boff, no meio da crise podemos encontrar o nosso centro na espiritualidade!

Leonardo Boff

Quase só se fala de crise e crise das crises, aquela da Terra e da vida, ameaçadas de desaparecer como acenou o Papa Francisco em sua encíclicas sobre “o cuidado da Casa Comum”. Mas tudo o que vive é marcado por crises: crise do nascimento, da juventude, da escolha do parceiro ou parceira para a vida, crise da escolha da profissão, crise do “demônio do meio-dia”como a chamava Freud que é a crise dos quarente anos quando nos apercebemos que já estamos chegando ao topo da montanha e começa a sua descida. Por fim a grande crise da morte quando passamos do tempo para a eternidade.

O desafio posto a cada um não é como evitar as crises. Elas são inerentes à nossa condição humana. A questão é como as enfrentamos: que lições tiramos delas e como podemos crescer com elas. Por aí passa o caminho de nossa auto-realização e…

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