Muitas vezes na minha vida eu fiquei preocupado com a opinião das outras pessoas, mas algumas opiniões me enchiam de entusiasmo. Na metade do meu curso na faculdade eu conheci uma organização que cuida da formação de jovens líderes empreendedores.Acaba que eu ficava dividido entre as tarefas da faculdade com uma carga horária muito grande, já que era em uma universidade pública, e os trabalhos voluntários e cursos da organização. Neste grupo eu treinava oratória toda segunda-feira a noite através de debates e ao final do debate recebia um feedback dos juízes e o legal era que eles sempre procuravam primeiro algo de positivo para colocar na observação e somente depois faziam uma análise de pontos negativos. Só que o mais motivador era a forma gentil e o prazer que eles demonstravam em suas falas cheias de mudanças na tonalidade da voz o que me informava sobre os sentimentos deles, à emoção em desempenhar aquele papel.

Na faculdade eu apresentava trabalhos na sala de aula e acompanhava muitas apresentações de monografia, dissertações e teses. Recomendo a leitura do livro “A Antropologia da academia: quando os índios somos nós” em que o professor Kant fala sobre como são as regras do jogo acadêmico no Brasil em comparação com os E.U.A:(http://www.editora.uff.br/index.php?option=com_booklibrary&task=view&id=116&Itemid=10&catid=12).

O que se perguntava sempre para a pessoa que ia apresentar é se ela estava pronta para colocar a cara para bater porque era exatamente isto o esperado, muitas observações sobre o que estava ruim e pouquíssimas sobre o que estava bom. Em algumas oportunidades o professor convidado vinha de fora da universidade e fazia o papel de bacana, mas na maioria das vezes eram críticas frias sobre o trabalho da pessoa e poucos tinham o talento de expressar os seus sentimentos em diversos tons de voz. Cabia ao aluno ficar satisfeito em ser aprovado, muitas vezes com uma nota muito boa que era bem contraditório com a quantidade de observações de problemas no trabalho. Só posso entender que não foram treinados para fazer análises dialógicas em que se constroem novas teorias aproveitando-se dos pontos positivos de outra teoria acrescentando atualizações da questão, mas são excelentes destruidores de teorias sempre fazendo desconstrução em uma dialética do lado negativo do trabalho. Sobra ao aluno a inteligência emocional para se valorizar pelos seus feitos e ter a “grandeza” de aprender com as críticas em um gesto de humildade científica.

Daniel Goleman no livro, “Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso” escreve sobre o resultado de críticas feitas de maneira fria e em tom de gentileza: “Uma pesquisa descobriu que quando as pessoas recebem um feedback de desempenho negativo num tom de voz gentil e solidário, saem da conversa com sensações positivas, apesar do feedback negativo. Mas quando recebem avaliações de desempenho positivas com tons de voz frios e distantes, acabam se sentindo mal apesar da boa notícia”(GOLEMAN, p.74) Recomendo o Livro: http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=1347.

Esta pesquisa explica porque não poucas vezes receber um feedback negativo de amigos empreendedores daquela organização que forma jovens líderes que citei no início,foi muito revigorante, enquanto rara as exceções, receber um feedback positivo de certos acadêmicos me deixou estranhamente desanimado. E coube a mim o gesto de “grandeza” de analisar o quanto no meu trabalho eu melhorei e os diversos pontos positivos e, claro, aprender com os erros.Claro que isto faz parte do amadurecimento emocional, porém é sempre bom contar com uma ajuda externa,um bom amigo que após  apresentações como esta possa ajudar-te em uma avaliação mais positiva desta experiência afim de colocar o foco no quanto você evoluiu e  nos vários aspectos que não costumam ser citados. No final como me disse uma professora que sabe fazer uma crítica com gentileza é preciso saber quem são os “outros” que te importam!

Ozimar Bovió

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