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BioZoe-VidaBoa

Aqui você encontra reflexões que tem relevância na Busca da Vida-boa.

Política 

“É sinônimo de democracia  se a pensarmos como laço amoroso entre pessoas que podem falar e se escutar não porque sejam iguais, mas porque deixaram de lado suas carapaças de ódio e quebraram o muro do cimento onde suas subjetividades estãoenterradas.” Márcia Tiburi

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NARCO: Pablo Escobar e zangões sacrificados

NarcosA série Narco que fala sobre tráfico de drogas no contexto da biografia de Pablo Escobar me chocou bastante. Uma cena que me deixou perplexo foi a atitude cínica de tratar com bastante carinho e vestir muito bem um garoto, fazer promessas de que ele ganharia muito bem e no final usá-lo como objeto.

Sim objeto, porque este foi colocado dentro de um avião. Neste avião foi-lhe recomendado apenas que deveria fazer uma gravação. Essa gravação na verdade era a desculpa para que ele apertasse o botão que ligava uma bomba. Esta bomba servia para matar um candidato a presidência da Colômbia.Pablo Escobar sempre matava aqueles que eram contra os seus negócios na Colômbia.

Sabe-se que na reprodução industrial das abelhas o Zangão é sacrificado cortando a sua cabeça que é o que estimula a saída dos espermatozoides. Este garoto é um Zangão do tráfico. Ele perde a vida, corta-se a sua cabeça para através do terror manter a continuidade do negócio de tráfico de cocaína da Colômbia para os EUA.

Existe por trás deste personagem, uma vez que sobre ele é escrita uma história que é contada através do cinema em cima de determinada interpretação, uma magia, um encanto porque ele possui poder. De que adianta tanto poder se a sua liberdade de ir e vir vai ficando cada vez mais minada? O diretor da série o nosso brasileiro José Padilha e o nosso ator Wagner Mora queriam  humanizar Pablo Escobar.

O fato é que Pablo Escobar tinha uma família, então psicopata ele não era. Pode-se dizer que ele era imoral porque não respeitava a vida, não respeitava o casamento, não respeitava as leis e, portanto, estava acima de tudo. Uma pessoa que está acima de tudo, não é um modelo de sustentação para qualquer sociedade. É uma grande ilusão todo o poder que ele tem porque ele vai cada vez mais perdendo a sua liberdade. Me lembra é claro, em outro nível,  muitas pessoas que em nome de grande sucesso profissional perdem tudo diante da ilusão, perdem a essência.

Sobre “Mad max: a estrada da fúria”. Na corrida da vida você está na estrada da fúria ou na estrada do equilíbrio?

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No filme uma sociedade pós-apocalíptica teria sido forçada a voltar para uma organização primitiva com a necessidade de retomar a um sistema parental baseado em uma poligamia. Nas entrelinhas do enredo de Mad max: a estrada da fúria  está uma antropologia evolucionista. A questão aqui é a poligamia do Chefe, Immortan Joe. Qual é a explicação para a necessidade de se ter várias mulheres no contexto descrito pelo filme? Mad max passa-se  em um período pós-apocaliptico em uma situação de escassez material.  A mensagem que o filme passa é que quanto mais mulheres um indivíduo possuir, maior é a sua capacidade de produção agrícola e tecnológica, modos de produção altamente prioritários em tempos de busca pela sobrevivência da humanidade na terra.

O que é diferente de uma mulher engravidar de vários homens, porque estas reproduzem na maioria das vezes um filho de cada vez, é um homem engravidar várias mulheres. No segundo caso, o número de filhos é muito maior e mais útil para uma situação de escassez material. No caso do filme um único indivíduo tem este comportamento, logo este tem um acúmulo de poder e de capital que lhe dá a autoridade de chefe tribal. Ao menos esta parece ser a lógica apresentada no filme, pois lá temos um patriarca que neste caso é também um ditador.

Na tribo de Immortal Joe, estabelecida no deserto, temos um sistema político claramente ditatorial em que o Immortan Joe é detentor do poder, apesar de que ele divide este poder com um irmão que pela sua contagem em perdas na guerra e seu questionamento é responsável pelas finanças daquela tribo desértica. Quem toma de verdade as decisões é o Immortan Joe que nem dá ouvidos aos questionamentos do irmão sobre as perdas financeiras na perseguição de guerra pelo deserto.

Cabe uma reflexão, qual estrada resolvemos correr na vida? A estrada da fúria ou a estrada do equilíbrio? Será que colocados em uma situação de escassez o caminho é da exploração como forma de monopolizar o poder? É um caminho um tanto quanto machista, patriarcal e destruidor da natureza.

Obviamente que o irmão não tem noção do valor que as esposas do Immortan Joe têm, pois são as reprodutoras não somente da mão de obra, os garotos de meia vida, como também do combustível de maior valor o Mothers milk (leite das mães) o que ressalta mais ainda a cultura poligâmica presente no filme. O  Mothers Milk  ao que tudo indica ia para alguma outra tribo ser trocado por gasolina e era levado por uma Imperatriz Furiosa, uma espécie de protetora do líquido sagrado, símbolo maior da fertilidade. (ESPOILER NO PRÓXIMO PARÁGRAFO)

O filme prossegue para o encerramento com a corrida para o deserto em que Furiosa junto com as Mothers, fica entre continuar em busca de um lugar nunca visto, atrás da esperança de um paraíso perdido para além do mar de sal ou se volta para a tribo do Immortal Joe, onde tem água extraída do solo e condições de produção agrícola. Ela então decide voltar e enfrentar um caminho real a ir em busca de uma esperança idealista. Outra reflexão cabe aqui. Estamos seguindo caminhos reais ou estamos nos afundado em um idealismo?

Que tipo de sociedade nos queremos? Uma sociedade dividida entre a parte “bios” que tem poder é comanda por homens em detrimento da exploração da parte “zoe” as mulheres e os escravos representados pelos miseráveis do filme ? Ou queremos uma sociedade igualitária? Queremos correr na estrada da fúria ou  na estrada do equilíbrio e da integralidade entre feminino e o masculino ( a estrada “biozoe”) ?

Ozimar Bovió.

Claudinha Leite se preocupa com o lado não palpável da vida?A importância do todo da vida.

O todo da vidaUma pessoa de grande fama do meio artístico seria uma pessoa efêmera? Claudinha Leite disse em quadro do Caldeirão do Huck que a oportunidade de reviver a experiência de estar no seu quarto de infância ajudou-lhe a lembrar das coisas mais importantes da sua vida. Em estado de prantos Claudinha disse: “No meio em que se vive a exposição do corpo o que importa não são as coisas palpáveis”. Ela estava falando da suas memórias de infância na casa da sua família e de como ela foi feliz.

Devido ao meu preconceito fiquei um pouco surpreendido com a fala da cantora, pois a estigmatizei como uma cantora sensual, como se ela fosse vinte e quatro horas por dia assim. Claro que é uma visão reforçada pela exposição que ela tem na mídia, como cantora de axé, um tanto distante da imagem de alguém preocupado com as coisas não palpáveis da vida. Mas o que é felicidade?

A felicidade pode ser buscada na vivencia máxima dos prazeres da vida como fazem os hedonistas pós-modernos ou ainda apenas na satisfação dos desejos naturais e necessários como pensavam o ideal de felicidade os epicuristas[1]. George Simmel, um intelectual do século XIX que transcende as nomenclaturas de filósofo, antropólogo, psicólogo e outras discorreu sobre a busca da felicidade através da religiosidade em que as pessoas buscavam na socialização entre pessoas com fé na salvação cristã como forma  de busca da felicidade[2].

Onde está o equilíbrio? No alcance de notoriedade nas redes sociais? Na o alcance da manutenção de prazeres da moda? Ou mesmo na satisfação comedida dos desejos naturais e necessários dos epicuristas?

São muitas as respostas possíveis. Vou me limitar na minha experiência de vida. Penso que o desejo é uma questão que vem me dando uma rota nesta busca da felicidade. A vivência máxima dos prazeres no deleite da realização dos desejos da carne e do sangue talvez tenham os seus momentos. Estão ligados a vivencia da alegria e da euforia muito importantes para dar graça a vida que seria muito sem sal e sem açúcar sem eles, dão potencia a vida, excitação!São  uma lembrança orgânica de que estamos vivos!

Somos seres integrais necessitados dos nossos prazeres da carne e do sangue, mas quando nos esquecemos de buscar a nossa centralidade corremos o risco de nos perder em  alguma parte do todo da vida[3]. O todo da vida precisa de uma atividade de espiritualidade no sentido mais amplo possível da palavra. Penso que qualquer forma de religiosidade é importante e quando falo de religiosidade não estou falando apenas dos modelos tradicionais e dominantes da sociedade. Estou falando também dos ateus, dos materialistas, acadêmicos, artistas e também aqueles que sofrem intolerância como os afro-brasileiros.

Ozimar Bovió. 

 

 

 

[1] BARROS FILHO, Clóvis de. A vida que vale a pena ser vivida. Petrópolis: RJ. Vozes, 2014.

[2] SIMMEL,Georg. Religião: Ensaios- Volume ½. São Paulo: Olhos dagua, 2010.

[3]Acesso em 10/08/2015: https://leonardoboff.wordpress.com/2015/07/31/as-crises-da-vida-e-a-autorealizacao/

 Bem estar de laboratório?O meu bem-estar é o mesmo que o seu? Bem-estar para quem?

Bem estar de laboratório

Pode-se dizer que na área da saúde o conceito de bem-estar vem mudando. A 1ª Revolução da saúde é herança do iluminismo e depois do utilitarismo. Estamos falando da famosa qualidade de vida. Mais tarde veio a 2ª revolução da saúde que começa a dar ênfase na saúde ao invés da doença. Hoje, o conceito vem se ampliando para uma questão de bem-estar subjetivo que é medido pela perspectiva que o individuo tem de si mesmo partindo do seu critério de satisfação da vida[1].Agora pense na medicina que você tem acesso no Brasil. Ela já passou pela 2ª revolução da saúde?

Vamos fazer uma regressão no tempo e consultar a cultura grega clássica. Calma leitor, você vai ver que não estou maluco. A sociedade grega permitia a apenas uma parcela da sociedade de viver a “bios”, uma vida de liberdade de poder fazer (práxis) e poder dizer (lexis). O resto da sociedade ficava limitada ao que se tinha de comum a espécie, uma vida “zoe” que era a moderação dos hábitos de vida: comer, beber, fazer sexo, não ser violento etc. Estes eram os escravos (não cidadãos) submetidos aqueles que tinham o poder de dizer  e de fazer,  os cidadãos.[2]

Hoje vivemos em outro tipo de democracia onde todos tem direito a cidadania e logo a uma vida integral, mas parece que vivemos sob o julgo de um outro campo social, o campo científico. Viu como não estava ficado louco? A ciência hoje é que tem a legitimidade social para poder dizer como, quando, por que, quanto e onde devemos cuidar de nossos corpos! Somos bombardeados pela ciência nos dizendo o que comer, que tipo de exercício fazer etc. Parece que hoje não mudou muita coisa.Se formos levar em consideração que do ponto de vista do bem-estar de nossos corpos não são todos que tem a vida acesso a vida “bios”  boa parte vive só a vida “zoe”( no contexto grego e não no cristão em que “zoé” é vida eterna).

Somos  muitas vezes governados pelo ultimo artigo com o novo julgamento em que o álcool, a maconha, os suplementos, os remédios e até mesmo um inocente ovo são absolvidos ou não da vida das pessoas segundo os interesses daqueles tem o pode de dizer e fazer. Quando vamos entender que as ciências da saúde não são neutras?! Bem estar para quem?Para a indústria farmacêutica?Para academia de musculação?Para a medicina? Que a ciência seja apenas um conselheiro e não um ditador! Chega de bem estar de laboratório! Sejamos sábios na busca por bem-estar!

Que se tenha olhar crítico e bom senso. O que estatisticamente funciona para maioria das pessoas,não funciona para a outra menor parte. Além do mais, é possível colocar o interesse através da metodologia e mesmo na interpretação dos dados de uma pesquisa. Qual é o seu critério de bem-estar. A quantidade de whey protein ingerida por mês? Pense nisto!

Ozimar Bovió.

[1] GALINHA, Iolanda. RIBEIRO, Paes. História e o conceito de Bem-estar subjectivo. Psicologia, saúde e doenças,2005,6(2),p.203,214. http://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/1060 Acesso em 21/07/2015.

[2] Para saber mais: vídeo do Psicanalista Jurandir Freire Costa, Café filosófico https://www.youtube.com/watch?v=yCsZqD3B7do  Acesso em 21/07/2015. ARISTÓTELES.Política. Trad. Therezinha Monteiro Deutsch e Baby Abrão. (Col. Os pensadores). São Paulo: Editora Nova Cultural, 2000.Leia ainda em:http://www.webartigos.com/artigos/a-distincao-entre-zoe-e-bios-em-aristoteles/63861/#ixzz3gZW8Efih Acesso em 21/07/2015.

As crises da vida e a autorealização (Leonardo Boff)

Para Leonardo Boff, no meio da crise podemos encontrar o nosso centro na espiritualidade!

Leonardo Boff

Quase só se fala de crise e crise das crises, aquela da Terra e da vida, ameaçadas de desaparecer como acenou o Papa Francisco em sua encíclicas sobre “o cuidado da Casa Comum”. Mas tudo o que vive é marcado por crises: crise do nascimento, da juventude, da escolha do parceiro ou parceira para a vida, crise da escolha da profissão, crise do “demônio do meio-dia”como a chamava Freud que é a crise dos quarente anos quando nos apercebemos que já estamos chegando ao topo da montanha e começa a sua descida. Por fim a grande crise da morte quando passamos do tempo para a eternidade.

O desafio posto a cada um não é como evitar as crises. Elas são inerentes à nossa condição humana. A questão é como as enfrentamos: que lições tiramos delas e como podemos crescer com elas. Por aí passa o caminho de nossa auto-realização e…

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Quando os prazeres superaram o limite da vida: A enfermaria dos “loucos”.

klimt-morte-e-vida
klimt-morte-e-vida. No contexto do post: a vida terminada pela busca da loucura da vida pela morte ou a vida que tem tempo de se agregar a outras vidas?

No episódio de atendimento do meu avô por causa de um osso fraturado ao cair em casa fiquei como acompanhante dele na enfermaria dos “loucos pela morte”. Era uma enfermaria enorme. Na parte da frente no lado direito tem um posto de enfermagem,no lado esquerdo tem um banheiro e no meio da enfermaria tem uma parede que divide o lugar em duas alas sendo que dos dois lados desta parede tem leitos. Nas duas extremidades também tem leitos, parece uma enfermaria de hospital de guerra. Deveria ter pelo menos um total de 40 leitos. As paredes estão todas encardidas na cor bege e verde. O aspecto estético das pessoas é deplorável. É possível enxergar o sofrimento em suas fisionomias. Fiquei focado nos que sofreram acidentes de moto os “loucos pela morte”.

Segundo uma pesquisa da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais FHEMIG em 2013 chegou-se ao número de 7.131 casos em que 55% dos acidentes foram considerados graves, sendo 60% com idade entre 18 e 30 anos e 80% do sexo masculino. Não informaram o número de reincidentes, mas um médico relata rever muitos acidentados. Em um caso específico segundo o médico o garoto após o primeiro acidente comprou uma moto mais potente e no segundo acidente acabou perdendo uma das pernas.[1]

Lá conheci o V um garoto que bebe muito, anda de moto e já estava no seu terceiro acidente de moto ele está com o rosto todo cheio de casquinhas de machucado, assim como tem ferimentos pelos braços, pernas e pés. O garoto tem 20 anos, trabalha como soldador e saiu da escola. Usando o vocabulário freudiano ele é uma vítima da “pulsão de morte” [2] (um instinto de autodestruição) descontrolada. O que pode ser mais morte do que uma tatuagem da representação da morte (um esqueleto usando um capuz e carregando uma foice) nas suas costas? Ele é um garoto que trabalha muito e faz musculação, estava ficando forte ( me mostrou uma foto dele) ele bebe muito e “pega” muita mulher. Em busca da vida ele vai atrás da morte: ele busca a vida pela morte e não pela vida.

Assim como V encontrei também F, e J (estou usando letras para não usar os nomes evitando expor as pessoas) em outra enfermaria no hospital Maria Amélia Lins onde meu Vô ficou internado. Todos eles foram parar no hospital por causa de acidentes com moto. Quantos acidentes no hospital são causados pelos “loucos da enfermaria”? Jovens ou até homens um pouco mais “maduros” trabalham muito e tem poucas oportunidades de lazer, além de não serem adeptos de nenhuma prática espiritual especulo. Muitos acabam encontrando na adrenalina de pilotar uma moto em alta velocidade uma maneira de sentir que o sangue pulsa nas suas veias!

Você caro leitor, quantas vezes na ânsia de sentir a vida através da adrenalina pulsando através do sangue em suas veias, ou um “barato” qualquer através do álcool ou de qualquer outro vício, seja pela comida, por sexo e acabou se deparando com a morte? Talvez você ainda não tenha chegado neste ponto, mas fica a pergunta: sua vida está tão desequilibrada que você só sente a energia da vida através de um vício? Melhor buscar a vida pela vida, através de um esporte, de um hobbie e de práticas espirituais! Na lista de links ao lado você encontrará canais do You tube e sites para te ajudar nesta jornada. Viva a vida “biozoe” (veja explicação no menu do lado esquerdo do blog) vida integral!

[1] http://www.fhemig.mg.gov.br/banco-sala-de-imprensa/2662-fhemig-alerta-para-acidentes-com-moto-e-divulga-pesquisa-inedita

[2] VAZQUEZ, Antônio. Para compreender Freud, Proclama Editora: 2006.

Ozimar Bovió

Críticas negativas, críticas positivas.Quem são os “outros” que te importam?

Muitas vezes na minha vida eu fiquei preocupado com a opinião das outras pessoas, mas algumas opiniões me enchiam de entusiasmo. Na metade do meu curso na faculdade eu conheci uma organização que cuida da formação de jovens líderes empreendedores.Acaba que eu ficava dividido entre as tarefas da faculdade com uma carga horária muito grande, já que era em uma universidade pública, e os trabalhos voluntários e cursos da organização. Neste grupo eu treinava oratória toda segunda-feira a noite através de debates e ao final do debate recebia um feedback dos juízes e o legal era que eles sempre procuravam primeiro algo de positivo para colocar na observação e somente depois faziam uma análise de pontos negativos. Só que o mais motivador era a forma gentil e o prazer que eles demonstravam em suas falas cheias de mudanças na tonalidade da voz o que me informava sobre os sentimentos deles, à emoção em desempenhar aquele papel.

Na faculdade eu apresentava trabalhos na sala de aula e acompanhava muitas apresentações de monografia, dissertações e teses. Recomendo a leitura do livro “A Antropologia da academia: quando os índios somos nós” em que o professor Kant fala sobre como são as regras do jogo acadêmico no Brasil em comparação com os E.U.A:(http://www.editora.uff.br/index.php?option=com_booklibrary&task=view&id=116&Itemid=10&catid=12).

O que se perguntava sempre para a pessoa que ia apresentar é se ela estava pronta para colocar a cara para bater porque era exatamente isto o esperado, muitas observações sobre o que estava ruim e pouquíssimas sobre o que estava bom. Em algumas oportunidades o professor convidado vinha de fora da universidade e fazia o papel de bacana, mas na maioria das vezes eram críticas frias sobre o trabalho da pessoa e poucos tinham o talento de expressar os seus sentimentos em diversos tons de voz. Cabia ao aluno ficar satisfeito em ser aprovado, muitas vezes com uma nota muito boa que era bem contraditório com a quantidade de observações de problemas no trabalho. Só posso entender que não foram treinados para fazer análises dialógicas em que se constroem novas teorias aproveitando-se dos pontos positivos de outra teoria acrescentando atualizações da questão, mas são excelentes destruidores de teorias sempre fazendo desconstrução em uma dialética do lado negativo do trabalho. Sobra ao aluno a inteligência emocional para se valorizar pelos seus feitos e ter a “grandeza” de aprender com as críticas em um gesto de humildade científica.

Daniel Goleman no livro, “Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso” escreve sobre o resultado de críticas feitas de maneira fria e em tom de gentileza: “Uma pesquisa descobriu que quando as pessoas recebem um feedback de desempenho negativo num tom de voz gentil e solidário, saem da conversa com sensações positivas, apesar do feedback negativo. Mas quando recebem avaliações de desempenho positivas com tons de voz frios e distantes, acabam se sentindo mal apesar da boa notícia”(GOLEMAN, p.74) Recomendo o Livro: http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=1347.

Esta pesquisa explica porque não poucas vezes receber um feedback negativo de amigos empreendedores daquela organização que forma jovens líderes que citei no início,foi muito revigorante, enquanto rara as exceções, receber um feedback positivo de certos acadêmicos me deixou estranhamente desanimado. E coube a mim o gesto de “grandeza” de analisar o quanto no meu trabalho eu melhorei e os diversos pontos positivos e, claro, aprender com os erros.Claro que isto faz parte do amadurecimento emocional, porém é sempre bom contar com uma ajuda externa,um bom amigo que após  apresentações como esta possa ajudar-te em uma avaliação mais positiva desta experiência afim de colocar o foco no quanto você evoluiu e  nos vários aspectos que não costumam ser citados. No final como me disse uma professora que sabe fazer uma crítica com gentileza é preciso saber quem são os “outros” que te importam!

Ozimar Bovió

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